quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Definição de Obesidade Infantil



A Organização Mundial de Saúde [1] projectou que 2,3 milhões de indivíduos acima dos 15 anos de idade terão excesso ponderal e 700 milhões serão obesos em 2015. A prevalência do excesso ponderal e obesidade entre crianças e adolescentes também aumentou drasticamente com uma prevalência global de 10% para ambos os géneros, cerca de 155 milhões de crianças e adolescentes têm excesso ponderal e 30-45 milhões são obesos [2]. Em Portugal a prevalência de excesso ponderal é de 22,6% e a prevalência de obesidade de 7,8%, pelo que 30,4% dos adolescentes em Portugal apresentam excesso de peso [3].


A obesidade é definida como uma excessiva deposição de gordura corporal total, medida pela sua percentagem corporal [4]. Existe, no entanto, consenso generalizado da definição de excesso ponderal e obesidade em crianças e adolescentes baseados no índice de massa corporal (IMC) [5-7]. Segundo Cole, define-se excesso ponderal percentil de IMC igual ou superior a 85 e inferior a 95 e para obesidade percentil igual ou superior a 95 [6]. O IMC após o nascimento caracteriza-se por um aumento muito rápido durante o primeiro ano de vida, (aproximadamente 5 Kg/m2), posteriormente entre os 4-8 anos ocorre uma diminuição até atingir os 15kg/m2. Depois dos 8 anos até á fase adulta, existe um aumento para os 20-25 kg/m2 [8]. Esta segunda fase de crescimento denomina-se de ‘’adiposity rebound’’ (aumento do tecido adiposo). Um aumento do IMC durante a primeira infância (antes dos 5 anos), poderá aumentar os riscos de obesidade durante a fase adulta [9].


REFERÊNCIAS 

1.  WHO. Obesity and overweight. In Fact sheet Nº311. 2006.
2. Lobstein T, Baur L, Uauy R et al. Obesity in children and young people: a crisis in public health. Obes Rev. 2004 May;5 Suppl 1:4-104.
3. Ferreira JF. Prevalência de Obesidade Infanto-Juvenil: Associação com os hábitos alimentares, actividade física e comportamentos sedentários dos adolescentes escolarizados de Portugal Continental [Dissertação para o grau de Doutoramento]. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa - Escola Nacional De Saúde Pública; 2010
4.  Garrow, JS, James WPT. Human Nutrition and Dietetics, 10th. Churchil Livingstone (pp.527-545). London. 2000
5.   WHO. Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee,  854, 452, Geneve.1995
6.  Cole TJ, Belizzi MC, Flegal KM, et al.. Establishing a standard definition for child overweight and obesity: international survey. BMJ. 2000 May;320(7244):1240-3.
7.  Poskitt EME, Body mass index and childhood obesity: are we nearing a solution? Acta Pædiatrica,  Acta Paediatr. 2000 May;89(5):507- 509.
8.  Freedman DS, Kettel KL, Serdula MK, et al. BMI rebound, childhood height and obesity among adults: the Bogalusa Heart Study. Int J Obes Relat Metab Disord. 2001 Apr;25(4):543-9
9.  Rolland MF, Deheeger M, Bellisle F, et al. Adiposity rebound in children: a simple indicator for predicting obesity. Am J Clin Nutr. 1984 Jan;39(1):129-35.



domingo, 2 de dezembro de 2012

Suplementação - Estado da Arte


O uso de suplementação é uma prática muito comum entre os atletas amadores e profissionais. A sua utilização é cada vez mais generalizada, quer porque o colega de treino recomendou, porque viu spot publicitário, ou porque a loja ‘’x’’ aconselhou, etc…
A suplementação no desporto deverá tem objectivo, melhorar a capacidade de realizar exercício ou favorecer os processos de recuperação (efeito ergogénico). Mas será que toda a suplementação apresenta o efeito ergogénico pretendido? Com base nesta premissa a Sociedade Internacional de Nutrição no Desporto (SIND), proferiu um parecer no qual pretendeu demonstrar qual ou quais os suplementos que efectivamente demonstraram ter o efeito ergogénico.
A SIND efectuou uma revisão de literatura exaustiva para cada um dos suplementos, avaliando criteriosamente cada artigo, respondendo ás seguintes questões:
As investigações foram realizadas em animais/populações, ou em atletas/indivíduos treinados?

  • Que tipo de controlo existiu no estudo? Placebo, duplo cego, ensaio clínico randomizado?
  • Os resultados foram significativamente estatísticos? Ou são reivindicações sobre os não resultados? ou são tendenciosos?
  • Os resultados obtidos correspondem às afirmações feitas sobre o produto?   
  • Os resultados foram apresentados em reuniões científicas?
  • As conclusões da investigação foram replicadas em laboratórios diferentes?

Com base neste critério os suplementos foram categorizados de acordo com a evidênciacientifica:
Categoria I – ‘’Aparentemente Eficaz’’ suplementos que demonstraram efectivamente o seu efeito ergogénico.
Categoria II – ‘’Possivelmente Eficaz’’ suplementos com estudos iniciais que apoiam a fundamentação teórica, mas são necessárias mais estudos para determinar o seu modo de acção no desempenho do atleta.
Categoria III  - ‘’Muito cedo’’ produtos em que ainda não existe pesquisas suficiente para apoiar a sua utilização.
Categoria IV – ‘’Aparentemente Ineficaz’’ – suplementos que carecem de uma fundamentação cientifica sólida, em que os estudos demonstraram claramente ineficácia na sua utilização.

Os suplementos podem ser apresentados de diversas formas: barras, gel, liquido, pó, cápsula, comprimido, pastilha, etc. Podem conter vários nutrientes: glícidos, proteínas, lipidos, vitaminas, minerais, enzimas, intermediários metabólicos (aminoácidos) e/ouextractos de plantas. São apresentados no mercado de acordo com efeito ergogénico pretendido: fornecedor de nutrientes, aumento de massa muscular, perda de peso e/ouaumento da performance.
A tabela 1 apresenta os suplementos de acordo com a sua categoria e efeito ergogénico pretendido.
CATEGORIA
Aumento de Massa Muscular
Perda de Peso
Aumento da Performance
Aparentemente Eficaz
- Creatina Monohidratada
- Proteínas
-Aminoácidos Essenciais (EEA)
- Termogénicos- muitos destes compostos poderão conter efedrina, substancia proibida(classe S5) pela Autoridade Antidopagem de Portugal.
-Agua, bebidas iso e hipotónicas
- Glícidos
- Creatina
Cafeína
- Fosfato de sódio
- Sódio
- Bicarbonato
Possivelmente Eficaz
-Hidroxi-Metil-Butirato (HMB)
- Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAA)
-
- Fibras
- Cálcio
- Extracto de chá verde
- Ácidos Linoleico Conjugado (CLA)
- EAA
- BCAA
- HMB
- Glicerol
Muito Cedo
- α Cetoglutarato
- α Isocaproato
- Aspartado de Zinco/magnésio
DHEA- precursos da testosterona poderão ser considerados  substancia proibida (classe S1) pela Autoridade Antidopagem de Portugal.
- Ácidos Gordos de Cadeia Média

Aparentemente Ineficaz
- Glutamina
- Isoflavonas
- Ácidos Linoleico Conjugado (CLA)
- Tribulus Terrestris
- L Carnitina
Diuréticos- substancia proibida(classe S5) pela Autoridade Antidopagem de Portugal
- Glutamina
- Ribose


A suplementação desempenha um papel importante no processo de treino do atleta. No entanto, deve ser visto como suplemento á sua dieta e não um substituto. A base de qualquer plano nutricional deve ser uma dieta equilibrada em macronutrientes, vitaminas e minerais adequada às necessidades da modalidadeSe a ingestão alimentar não é suficiente, então, deve-se utilizar os suplementos da categoria I, se necessário, poderá utilizar os suplementos da categoria II, sabendo que os resultados obtidos poderão não ser os esperados; osuplementos de categoria III não são aconselhados, teoricamente apresentam benefício, uma vez que o seu benefício ainda não foi demonstrado experimentalmente; os suplementos de categoria IV não deverão ser utilizados porque os estudos demonstraram ausência de beneficio.


  • Kreider BR, et al. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition; 2010, 7:7